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Aflitos, imóvel especial preservado pela Cidade do Recife!

Acima, imagem da área que passa a ser patrimônio imaterial. Ao lado, Diógenes Braga, Lorena Correia Veloso, Larissa Rodrigues de Menezes, Edno Melo e Ivan Pinto da Rocha após a votação do Conselho de Desenvolvimento Urbano da Cidade do Recife

Esta sexta-feira, 17 de maio de 2019, é uma data histórica para o Clube Náutico Capibaribe. A partir de hoje, todas as edificações da sede do clube, inclusive o estádio, tornaram-se área preservada pelo seu valor histórico e cultural. Tal medida foi aprovada nesta manhã pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano da Cidade do Recife, por 18 votos a zero, em reconhecimento não apenas ao valor arquitetônico do edifício, mas também ao valor cultural.

Anteriormente a fachada do edifício da Avenida Conselheiro Rosa e Silva 1086, nos Aflitos, já havia sido preservada, razão pela qual o imóvel já era Especial de Preservação (IEP). Agora a preservação se ampliou a todas as edificações do clube: além da fachada, também o prédio administrativo, o salão, o estádio, as quadras, piscinas, tudo.

"É um feito para se comemorar, por vários motivos", diz o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Náutico, Ivan Pinto da Rocha. Durante a votação do relatório, nesta manhã, Ivan falou em nome do clube e fez uma defesa do parecer técnico do DPPC, que na sua opinião contém "argumentos extremamente abalizados e de alto nível técnico”. Estiveram presentes também o presidente e o vice-presidente do Executivo, Edno Melo e Diógenes Braga.

VALORES A SEREM PRESERVADOS

A iniciativa foi de um grupo de alvirrubros, muitos dos quais arquitetos notáveis na área de desenvolvimento urbanístico. O grupo é encabeçado pelo arquiteto Múcio Jucá e pelo médico Durval Valença Filho (que já foi vice-presidente do Náutico).

Em outubro o grupo apresentou ao Conselho Deliberativo um requerimento para iniciar o processo. O CD concordou com o requerimento, e o encaminhou à Prefeitura do Recife, especificamente à Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural. A gerente geral do órgão, Lorena Correia Veloso, emitiu parecer (veja aqui) que foi votado hoje pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano da Cidade do Recife e aprovado com 18 votos favoráveis (nenhum voto desfavorável).

Segundo o relatório aprovado, foram reconhecidos valores que embasam a decisão de preservar a sede do Náutico:

- "Valor artístico determinado pela qualidade plástica dos projetos de Heitor Maia Filho para a sede social do Clube e de Augusto Reynaldo para o antigo restaurante;

- Valor histórico, que remete àquilo que jamais pode ser reproduzido, conferindo um status de patrimônio no sentido de herança e de memória social. No caso, o valor histórico do conjunto do Clube Náutico remete tanto à história da consolidação do futebol no Recife, quanto ao fato de ser o primeiro estádio da cidade e ter sido preservado em sua localização original, bem como a sua relação com o bairro dos Aflitos;

- Valor de existência, que se fundamenta nos conceitos de singularidade e irreversibilidade. Nesse caso, considerando a grande quantidade de times que existiam na cidade há cem anos e que na atualidade, no futebol profissional, somente quatro deles permanecem com sede no

Recife, e somente três contam com estádio próprio, o valor de existência desse exemplar foi amplificado, como seria também ampliado o valor de sua perda – o que já foi verificado nos cinco anos durante os quais o time principal de futebol não jogou no estádio;

- Valor econômico e valor de uso, relacionado com a sua utilidade e possibilidade de o imóvel ser utilizado para abrigar atividades diversas e ao seu potencial enquanto fonte de crescimento econômico. Aqui também, o uso principal estando relacionado com os jogos de futebol manifesta grande relevância, entendo também sua importância para as relações sociais geradas a partir deste uso;

- Valor simbólico, entendendo que o símbolo é a representação de uma ideia, algo não possível de ser expresso em sua totalidade por palavras. Uma das funções mais significativas do símbolo é o seu poder de socialização, de forma que o bem patrimonial-símbolo produz uma comunicação profunda com seu próprio meio social. Nesse sentido, é inquestionável o valor simbólico representado por um estádio historicamente consolidado diante de seu conjunto de torcedores e de toda a sociedade para a qual o referido time é parte da memória."