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100 anos de vida e de amor ao Náutico


Quantas pessoas podem dizer que presenciaram todos os títulos do Clube Náutico Capibaribe? Pois um alvirrubro apaixonado tem, orgulhosamente, essa experiência invejável. Trata-se de José Valente Gomes, que em 19 de julho completou 100 anos de vida. A comemoração só não foi melhor porque a pandemia impossibilitou a reunião de mais amigos e familiares. Fora isso, a festa foi do jeito que "Seu Zé Valente" gosta: vermelha e branca.

Na casa de José Valente Gomes só tem alvirrubro. A paixão pelo Náutico ele herdou do pai português (que adotou o Náutico como clube do coração desde que chegou a Pernambuco) e passou para seus 8 filhos 22 netos e 24 bisnetos.

Quer saber da história do Náutico? Pergunte a ele. Além de assíduo nas arquibancadas, José Valente Gomes não perdia nenhuma festa no clube, incluindo o carnaval. Por muitos anos, quem quisesse encontrá-lo aos domingos devia ir ao clube, onde ele estaria sempre com a esposa Eliete e os oito filhos, tomando seu Campari (bebida preferida que, dizia, era em homenagem à cor vermelha do Náutico).

Uma história e tanto

José Valente Gomes é filho de Maria de Jesus Valente Gomes e Constantino Gomes, portugueses da Ilha da Madeira. Seu pai chegou de Portugal em 1914, depois em 1918 chegou sua mãe trazendo seus irmãos, todos vindo para o Brasil após a 1ª Guerra Mundial. Primeiro da família a nascer no Brasil, José veio ao mundo em 1920. Casou-se com Eliete Moreira Gomes (falecida em 2018).

Seu pai, Constantino Gomes, foi proprietário da Casa Funchal - a primeira a fabricar móveis de vime e junco em Recife. A fábrica e a loja ficavam na Praça Joaquim Nabuco, ao lado do Restaurante Leite. Ambos foram pioneiros na inscrição da Junta Comercial de Pernambuco.

Foi atleta amador de natação pelo Náutico e também foi goleiro do Associação Great Western - mas seu coração e amor eram as cores vermelho e branco do Clube Náutico Capibaribe.

Já adulto conduziu toda sua família a conviver assiduamente nas dependências sociais do Náutico. Sempre comprava sua mesa em frente ao palco para aproveitar os shows e os carnavais na sede da Rosa e Silva.

As cadeiras de junco pintadas de vermelho e branco, que antigamente ocupavam o salão principal dando um tom aristocrático ao espaço, foram fabricadas e doadas por Zé Valente, que se responsabilizou voluntariamente pela manutenção das peças. Sócio patrimonial, ele nunca cobrou nada do seu clube.

Seu filho Constantino Gomes Neto, além de remador do Náutico, foi Diretor de Remo na gestão do finado e ilustre Presidente Josemir Correia.

Essa é a história de um alvirrubro que, aos 100 anos de idade, teve o privilégio de presenciar todos os campeonatos de futebol conquistados pelo Náutico, desde o Torneio início de 1933 e o Campeonato Pernambucano de 1934 até Campeonato Pernambucano de 2018 e classificação para série “C” do Campeonato Brasileiro de 2019.

Sim: aos 97 anos, José Valente Gomes estava na Arena Pernambuco no dia em que o Náutico quebrou o jejum de título pernambucano e a Arena foi invadida por uma multidão que vestia vermelho e branco. Foi a última partida que assistiu da arquibancada. Hoje ele tem problema de locomoção. Mas a memória continua ótima. E a paixão pelo Náutico, idem.

Saúde, José Valente Gomes!

Saudações alvirrubras!

* Agradecemos a Deize Gomes Cavalcanti de Matos, filha do Sr. José Valente Gomes, que cedeu as fotos e as informações para esta matéria.