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Náutico de Futuro

O que se vê em campo, em cada partida disputada, é a razão de ser dos clubes de futebol. É o produto final, o que é visível ao grande público, a parte mais fácil de ser julgada - para o bem e para o mal. Mas há um outro lado, nada fácil: a estrutura por trás do time em campo. A administração dos clubes de futebol.

O Clube Náutico Capibaribe tem mudado a sua cultura administrativa. "Planejamento" é a palavra que define o momento. Tanto a Diretoria Executiva quanto o Conselho Deliberativo tem atuado com a preocupação de consolidar uma política de austeridade financeira, profissionalização, e visão de futuro sólida.

O debate faz parte da construção. Na semana passada, o jovem Rodolpho Moreira Neto aceitou o convite do

presidente do Conselho Deliberativo, Gustavo Ventura, e fez uma explanação sobre o seu estudo, "Náutico de Futuro". Torcedor do Náutico, Rodolpho levou pai e avô, também alvirrubros, para a apresentação - a segunda que ele faz no clube (na primeira ele tinha apenas 16 anos). Ele coletou e analisou, comparativamente, diversos dados entre 2003 e 2019, focando na questão de número de mudanças nos elementos da equipe versus resultados alcançados.

O estudo revela situações preocupantes nesse passado recente do Náutico, como os 13 anos de jejum de títulos estaduais (quebrado no ano passado). No período de 2003-2019, o clube teve 137 atacantes (média de 8 por temporada), fez 591 gols. Para Rodolpho, as contratações foram demasiadas inócuas (já que não se alcançou os resultados esperados nos campeonatos) e nocivas para a saúde financeira do clube. Entretanto, ele destaca que essa visão começou a ser mudada no ano passado, quando o troca-troca de elementos da equipe, incluindo treinadores, foi bem reduzida. De 2003 a 2009 foram contratados 55 atacantes. Nos oito anos posteriores, 79. A contribuição média de gols diminuiu, passando de 5,29 (291 gols até 2010) para 3,79 (300 gols até 2018).

Rodolpho também apresentou informações sobre troca de técnicos. No campeonato brasileiro, por exemplo, o estudioso aponta que "só dois entre os últimos treze times campeões trocaram técnicos", e que apenas "três equipes foram rebaixadas mantendo o mesmo treinador". Em termos de sequência de títulos, 100% das equipes com títulos consecutivos tinham o mesmo treinador. O Náutico, entre 2003-2018, teve apenas um ano em que permaneceu com o mesmo treinador (2004); e já chegou a ter sete treinadores em um único ano (2013) - com resultado desastroso. Roberto Fernandes já comandou equipes do Náutico por quatro vezes; Alexandre Gallo e Waldemar Lemos, 3 vezes.

CAMINHOS

Olhar o passado dá base para traçar o futuro corrigindo rumos, abandonando práticas, criando novas perspectivas. Neste sentido, Rodolpho Moreira Neto destaca a importância de apostar no reconhecimento de novos valores do mercado futebolístico, o que demanda análise de performance - algo que o Náutico já tem desde o ano passado. O alvo são os atletas que ainda não tiveram o devido reconhecimento, que ele chama de "fenômenos ocultos". Contratá-los a um salário possível para o clube, trabalhar na potencialização do talento, aproveitá-los na equipe e abrir mercado.

Agir com responsabilidade, preservar credibilidade junto ao mercado, ter uma política definida de contratações, perseverar com a equipe e treinador, investir em talentos novos, ter olho clínico para contratações, apostar em análise e em potencialização. Além desses fatores, o estudioso aponta a necessidade de se deixar de "sonhar" e colocar os pés no chão. Para isso, traz um paradoxo: a necessidade de acreditar no que se vê e não ver algo porque se acredita.

Mais estudo - Rodolpho Moreira Neto também é autor do artigo "Segredos do Campeonato Brasileiro". Confira o texto: https://mwfutebol.com.br/2019/04/24/segredos-do-campeonato-brasileiro/